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    Emagrecimento Publicado em 28 de março de 2026 4 min de leitura

    Atualizado em 20 de setembro de 2026

    Voltei a ganhar peso depois de parar Mounjaro ou Ozempic: por que isso acontece?

    Recuperar peso após interromper a medicação não é fracasso pessoal. Entenda o que os estudos mostram e o que conversar com sua equipe.

    Fernando Villa Verde, nutricionista

    Fernando Villa Verde

    Nutricionista • CRN-3 59345

    Especializações:

    • Nutrição Esportiva e Fisiologia do Exercício — USP
    • Fitoterapia — Santa Casa de São Paulo
    • Neurociência, Psicologia Positiva e Mindfulness — PUC-Campinas e PUCPR
    Caneta aplicadora e alimentos frescos sobre bancada clara

    Em resumo

    • Recuperar peso após interromper a medicação não é prova de fracasso pessoal.
    • Semaglutida e tirzepatida atuam enquanto usadas; mudanças devem ser decididas com o médico.
    • Planejar alimentação, treino, sintomas e acompanhamento ajuda a cuidar da manutenção.

    Recuperar parte do peso depois de interromper Mounjaro ou Ozempic não é prova de fracasso pessoal. O peso corporal é influenciado por biologia, ambiente, rotina, saúde mental, acesso a cuidados e muitos outros fatores — não apenas por esforço individual.

    Obesidade é reconhecida como uma condição crônica e recidivante. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida podem fazer parte do tratamento e seus efeitos acontecem enquanto são utilizados. Parar, reduzir ou reiniciar é uma decisão médica: não interrompa por conta própria com base em um texto da internet.

    O que aconteceu nos principais estudos

    Semaglutida: extensão do STEP 1

    Na extensão do estudo STEP 1, um ano após a retirada da semaglutida e da intervenção do estudo, os participantes recuperaram, em média, cerca de dois terços do peso que haviam perdido anteriormente. Também houve tendência de retorno de parte das melhorias cardiometabólicas.

    Esse resultado descreve a média de um grupo em condições de pesquisa. Ele não prevê exatamente o que acontecerá com uma pessoa e não significa que todo tratamento terá o mesmo percurso.

    Tirzepatida: SURMOUNT-4

    No SURMOUNT-4, os participantes tiveram perda média de 20,9% do peso após 36 semanas iniciais com tirzepatida. Depois, foram sorteados para continuar o medicamento ou receber placebo. Entre as semanas 36 e 88, quem passou para placebo apresentou aumento médio de 14,0% do peso, enquanto quem continuou a tirzepatida perdeu, em média, mais 5,5%.

    Novamente, são médias de um ensaio clínico — não um destino individual. Participantes de estudos seguem critérios específicos e recebem um protocolo que pode ser diferente da prática cotidiana.

    Por que o apetite e o peso podem mudar

    Essas medicações atuam em vias relacionadas à fome, saciedade e ingestão alimentar. Quando o uso é interrompido, parte desse efeito pode diminuir e o apetite pode voltar a níveis anteriores. Isso não representa fraqueza.

    A perda de peso também pode ser acompanhada por adaptações biológicas que favorecem maior fome e menor gasto energético. Pesquisas mostram que algumas alterações hormonais podem persistir. Ao mesmo tempo, rotina, sono, estresse, disponibilidade de alimentos, atividade física e suporte social influenciam o resultado.

    Portanto, recuperar peso não tem uma única causa. É a interação entre corpo e contexto.

    O que discutir com a equipe antes de mudar a medicação

    Uma conversa planejada pode incluir:

    • motivo, momento e forma de qualquer ajuste da medicação;
    • qualidade e quantidade da alimentação atual;
    • ingestão de proteína e preservação de massa muscular;
    • treino de força e movimento possível para a realidade da pessoa;
    • náusea, refluxo, constipação ou outros sintomas gastrointestinais;
    • sono e nível de cansaço;
    • saúde mental, imagem corporal e comportamento alimentar;
    • frequência e forma de monitorar evolução, sintomas e exames.

    A decisão precisa considerar benefícios, efeitos adversos, preferências, custos, contraindicações e história clínica. Médico e nutricionista têm papéis complementares nesse cuidado.

    E a atenção plena ao comer?

    Práticas de mindfulness podem ajudar algumas pessoas a reconhecer sensações, emoções e automatismos ligados ao comer. Elas podem favorecer uma relação menos reativa com pensamentos e gatilhos.

    Mas mindfulness não substitui uma medicação indicada, consulta médica ou planejamento nutricional. Também não deve ser usado para ignorar fome ou transformar toda escolha alimentar em exercício de controle.

    Manutenção também é tratamento

    Manter resultados não é uma etapa menor nem uma prova final de disciplina. É parte do cuidado de uma condição que pode exigir acompanhamento prolongado e ajustes ao longo do tempo.

    Se você está considerando mudar a medicação ou percebeu aumento importante da fome e do peso, converse com sua equipe. Um acompanhamento nutricional durante o uso de Ozempic ou Mounjaro pode ajudar a organizar alimentação, sintomas, treino e preservação de massa muscular em conjunto com o seguimento médico.

    Conclusão

    A recuperação de peso após interromper semaglutida ou tirzepatida é compatível com o que estudos clínicos observaram em média. Isso não define seu futuro e não apaga o cuidado já realizado. O caminho mais seguro é revisar o plano com a equipe, sem culpa e sem decisões isoladas.

    Cuidado integrado

    Acompanhamento nutricional no uso de GLP-1

    Organize alimentação, sintomas e preservação de massa muscular com uma estratégia individual, alinhada ao acompanhamento médico.

    Conhecer o acompanhamento

    Referências científicas

    1. 1.

      Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension

      Wilding JPH et al. Diabetes, Obesity and Metabolism, 2022.

      Ver estudo
    2. 2.

      Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial

      Aronne LJ et al. JAMA, 2024.

      Ver estudo
    3. 3.

      Long-term persistence of hormonal adaptations to weight loss

      Sumithran P et al. New England Journal of Medicine, 2011.

      Ver estudo
    4. 4.

      Mindfulness-based interventions for weight loss: a systematic review and meta-analysis

      Carrière K et al. Obesity Reviews, 2018.

      Ver estudo
    5. 5.

      Integrating Diet and Physical Activity When Prescribing GLP-1s—Lifestyle Factors Remain Crucial

      Mehrtash F, Dushay J, Manson JE. JAMA Internal Medicine, 2025.

      Ver estudo

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    O acompanhamento é individual e considera sua rotina, objetivos e histórico de saúde.

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