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    Saúde e Exercício Publicado em 21 de setembro de 2026 3 min de leitura

    Exercício físico e saúde mental: como seus músculos conversam com o cérebro

    A atividade física regular pode reduzir sintomas de ansiedade e depressão — e os músculos enviam sinais que conversam com o cérebro.

    Fernando Villa Verde, nutricionista

    Fernando Villa Verde

    Nutricionista • CRN-3 59345

    Especializações:

    • Nutrição Esportiva e Fisiologia do Exercício — USP
    • Fitoterapia — Santa Casa de São Paulo
    • Neurociência, Psicologia Positiva e Mindfulness — PUC-Campinas e PUCPR
    Mulher descansando após treino com sinal luminoso entre corpo e cabeça

    Em resumo

    • A atividade física regular pode reduzir sintomas de ansiedade e depressão e favorecer sono e saúde cerebral.
    • Pesquisas experimentais ligam o exercício a vias como irisina/FNDC5 e BDNF, envolvidas na plasticidade do cérebro.
    • O movimento pode integrar o tratamento, junto ao acompanhamento psicológico e médico quando indicado.

    Imagine terminar uma caminhada e perceber que o problema que ocupava sua cabeça continua ali, mas você se sente um pouco mais disposto para enfrentá-lo.

    Essa sensação não acontece com todo mundo, nem em todos os treinos. Ainda assim, a relação entre movimento e saúde mental tem fundamento: a atividade física regular pode reduzir sintomas de ansiedade e depressão, melhorar o sono e favorecer a saúde cerebral. Organização Mundial da Saúde.

    Parte dessa história envolve uma comunicação que muita gente desconhece: os músculos enviam sinais para outras partes do corpo, incluindo o cérebro.

    Onde entram a irisina e o BDNF?

    Entre as substâncias estudadas nessa comunicação está a irisina, relacionada a uma proteína chamada FNDC5.

    Em pesquisas experimentais, o exercício ativou uma via envolvendo FNDC5 e o aumento de BDNF no hipocampo, uma região importante para a memória.

    O nome parece complicado, mas a ideia é acessível: BDNF é uma proteína que participa da sobrevivência dos neurônios e da capacidade de suas conexões se adaptarem. Essa capacidade de adaptação é chamada de plasticidade e está envolvida na aprendizagem e na memória. Pesquisa publicada em Cell Metabolism.

    Isso ajuda a entender por que os efeitos do exercício vão além do gasto de energia. Mas a irisina é uma peça dessa história, e não uma explicação única para todos os benefícios.

    Exercício faz nascer novos neurônios?

    Essa pergunta exige cuidado. Estudos em animais permitem investigar a formação de novos neurônios e os mecanismos envolvidos com muito mais detalhe do que conseguimos em pessoas.

    Por isso, esses resultados não autorizam prometer que cada treino produzirá novos neurônios no cérebro humano. O que podemos apresentar é uma linha de pesquisa sobre como o exercício favorece processos ligados à plasticidade e à saúde neuronal. Estudo experimental sobre exercício e BDNF.

    E os benefícios para a saúde mental?

    Uma grande revisão de ensaios clínicos publicada no BMJ encontrou redução de sintomas depressivos com diferentes modalidades, incluindo caminhada ou corrida, exercícios de força e ioga. A confiança nas estimativas variou, e muitos estudos apresentaram limitações. Revisão sobre exercício e depressão.

    Isso reforça o lugar do exercício no cuidado, mas não significa que alguém esteja deprimido porque “não se esforça para treinar”. Ansiedade e depressão podem dificultar justamente a disposição necessária para começar.

    O movimento pode integrar o tratamento, junto ao acompanhamento psicológico e médico quando indicado.

    Como levar isso para a sua rotina?

    Você pode começar olhando para o que é possível hoje:

    • Que atividade você consegue fazer com segurança?
    • Existe um horário viável na sua semana?
    • Ter companhia ou orientação ajudaria?
    • Qual seria um primeiro passo pequeno o suficiente para caber na sua realidade?

    A OMS destaca que alguma atividade é melhor do que nenhuma e que todo movimento conta. A progressão pode acontecer aos poucos. Orientações sobre atividade física.

    Na consulta nutricional, podemos organizar sua alimentação para acompanhar essa rotina e trabalhar as dificuldades que atrapalham sua constância, em parceria com os profissionais envolvidos no seu cuidado.

    Cuidar dos músculos também pode fazer parte do cuidado com a mente — mesmo quando a balança não muda.

    Referências científicas

    1. 1.

      Physical activity

      Organização Mundial da Saúde (OMS). Fact sheet, 2024.

      Ver estudo
    2. 2.

      Exercise induces hippocampal BDNF through a PGC-1α/FNDC5 pathway

      Wrann CD et al. Cell Metabolism, 2013.

      Ver estudo
    3. 3.

      Effect of exercise for depression: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials

      Noetel M et al. BMJ, 2024.

      Ver estudo

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    O acompanhamento é individual e considera sua rotina, objetivos e histórico de saúde.

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